CCP Alumni ’17-18 Teresa Ferrero: Giornata di formazione con le Suore Comboniane

Il 13 gennaio di quest’anno, su richiesta delle Suore Comboniane della Provincia del Mozambico-Sudafrica, ho offerto una formazione sulla Protezione dei Minori con l’obiettivo di approfondire l’importanza di avere un protocollo, il modo di elaborarlo e le strategie per implementarlo. La formazione ha avuto luogo nel Centro Catechetico della Diocesi di Nacala, a Carapira, nella Provincia di Nampula nel nord del Mozambico. Hanno partecipato 24 Suore Comboniane di diverse nazionalità (Equador, Italia, Costa Rica, Spagna, Brasile e Portogallo) che lavorano soprattutto negli ambiti della sanità, educazione, ma anche in altri settori.

La formazione ha avuto l’obiettivo di sensibilizzare sulla piaga dell’abuso sessuale in generale e nel contesto africano, riconoscere i fattori e contesti di rischio, le conseguenze sulle vittime e la necessità di un cambiamento di mentalità. C’è stata inoltre l’opportunità di riflettere sui passi che la Chiesa sta compiendo e sulla necessità di implementare linee guida, protocolli e codici di condotta per la salvaguardia dei minori e delle persone vulnerabili. In seguito, queste linee guida sono state contestualizzate nei diversi ambiti di missione e nel contesto culturale particolare.

Ho trovato un pubblico molto ricettivo, impegnato, con esperienza delle pratiche culturali e le abitudini di condotta verso i minori nel contesto africano e mozambicano e, soprattutto, disposto a rispondere alla sfida della prevenzione e della lotta contro l’abuso sessuale nella realtà locale.

Alcuni interventi hanno messo in evidenza il coinvolgimento delle Suore Comboniane ed il loro interesse per un lavoro attivo in rete per la Protezione dei Minori:

  • La presa di coscienza che nel trattare il tema della politica di salvaguardia, la prospettiva non dev’essere a favore dell’Istituzione, ma innanzi tutto del bambino.
  • La preoccupazione per un’azione urgente di lotta e prevenzione contro gli abusi nelle scuole e nei collegi e di implementazione reale dei protocolli e codici di condotta.
  • La valorizzazione della decisione del Papa Francesco di abolire il Segreto Pontificio per i casi di abuso sessuale.
  • La perplessità di fronte ai trasferimenti in altri Paesi di sacerdoti sospetti, destinandoli a ministeri in cui rimangono a contatto diretto con bambini e adolescenti.
  • La constatazione che la paura di denunciare è un fattore che limita la lotta contro l’abuso, come anche l’esistenza di pratiche di abuso socialmente riconosciute, di fattori culturali e tabù che favoriscono e accettano le relazioni sessuali con minori, oltre all’incesto e l’abuso tra pari e coetanei.

In generale, ho percepito un grande interesse verso questo tema e un desiderio autentico di comprendere e lavorare in una rete per promuovere insieme la protezione dei minori, pur sapendo che una delle grandi difficoltà in Mozambico è la mancanza di risorse umane preparate su questo tema, cui si aggiungono la scarsa sensibilizzazione in generale, ma anche la segretezza e i tabù che lo circondano.

(Teresa Ferrero)

(Originale in Portoghese)

No dia 13 de Janeiro deste ano, solicitada pelas Irmãs Combonianas da Província de Moçambique-Africa do Sul, realizei uma formação sobre a Protecção dos Menores com o objectivo de aprofundar a importância de ter um protocolo, a maneira de elaborá-lo e as estratégias para implementá-lo. A formação teve lugar no Centro Catequético da Diocese de Nacala em Carapira, na Província de Nampula ao norte de Moçambique. Participaram 24 Irmãs Combonianas de diferentes nacionalidades (Ecuador, Itália, Costa Rica, Espanha, Brasil e Portugal) trabalhando sobretudo nos âmbitos de saúde, educação e outros ministérios.

A formação teve o objectivo de sensibilizar sobre a chaga do abuso sexual em geral e no contexto africano, os factores e contextos de risco, as consequências nas vítimas e a necessidade de uma mudança de mentalidade. Houve também oportunidade de refletir sobre os passos que a Igreja está dando e a necessidade de implementar directrizes, protocolos e códigos de conduta para a salvaguarda dos menores e pessoas vulneráveis. A seguir se contextualizaram estas directrizes nos diferentes âmbitos de missão e no contexto cultural particular.

Encontrei um público muito receptivo, comprometido, com experiência sobre as práticas culturais e os hábitos de conduta em relação aos menores no contexto africano e moçambicano e sobretudo, disposto a responder ao desafio da prevenção e combate ao abuso sexual na realidade local.

Algumas intervenções evidenciam o envolvimento das Irmãs Combonianas e o seu interesse em trabalhar activamente em rede na Protecção dos Menores:

  • A tomada de consciência de que a perspectiva em tratar o tema de política de salvaguarda não deve ser a protecção da Instituição, mas da criança em primeiro lugar.
  • A preocupação por uma acção urgente de combate e prevenção dos abusos nas escolas e internados e de implementação efectiva de protocolos e códigos de conduta.
  • A valorização da decisão do Papa Francisco de suprimir o Secreto Pontifício em relação aos crimes de abuso sexual.
  • A perplexidade diante das transferências para outros países de sacerdotes suspeitos e a sua destinação a ministérios em contacto directo com crianças e adolescentes.
  • A constatação do factor do medo a denunciar como um limite no combate do abuso, das práticas de abuso socialmente legitimadas, os factores culturais e os tabus que favorecem e normalizam as relações sexuais com menores assim como o incesto e o abuso entre pares e coetâneos.

No geral, percebi um grande interesse pelo tema e um desejo verdadeiro de entender e trabalhar em rede para juntos promovermos a protecção dos menores, bem sabendo que uma das grandes dificuldades que se encaram em Moçambique é a falta de recursos humanos preparados neste tema e a fraca sensibilização em geral, bem como o secretismo e o tabu que existem ao respeito.